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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

[Livros Desejados] A Imperatriz de Ferro

A Imperatriz de Ferro: A Concubina que Criou a China Moderna
Autora: Jung Chang
Editora: Companhia das Letras 
Pgs: 520
Sinopse:
Não há dúvida de que a imperatriz viúva Cixi (1835-1908) é a mulher mais importante da história chinesa. Tendo governado o país por décadas, ela hoje é considerada a principal responsável por ter conduzido o império medieval à era moderna. Aos dezesseis anos, numa seleção nacional para acompanhantes reais, Cixi foi escolhida para ser uma das concubinas do imperador. Quando ele morre, em 1861, é o filho de cinco anos de ambos que assume o trono. Mas a imperatriz organiza um golpe contra os regentes indicados pelo marido e passa a ser a verdadeira líder da China. A biógrafa Jung Chang descreve com toda vivacidade a luta de Cixi contra os enormes obstáculos que precisaram ser derrubados para mudar o império chinês. Ela foi a responsável por implantar os atributos de um Estado moderno, como a indústria, ferrovias, eletricidade e novos armamentos, e mesmo por avanços como a abolição de torturas milenares e o reconhecimento dos direitos das mulheres. A autora desmonta, portanto, a visão tradicional de que a imperatriz viúva não passava de uma déspota sanguinária e conservadora. Baseada em documentos fundamentais que só ficaram disponíveis recentemente, esta biografia veio para o entendimento sobre um período crucial da história da China e do mundo. Narrado num ritmo rápido, é tanto um panorama do nascimento de uma nação moderna como o retrato íntimo de uma grande mulher.

Esse livro me chamou a atenção por duas razões essenciais: a autora, cujo livro 'Cisnes selvagens' eu já li e amei; e o tema, que é a vida da Imperatriz Viúva Cixi, cuja vida é MUITO interessante.
Eu li a biografia romanceada sobre a imperatriz da autora chinesa Anchee Min, que serviu não apenas para eu conhecer melhor essa época da história da China, como também a história da vida de uma mulher tão importante para um dos maiores impérios do mundo. Além disso, depois de ler o outro livro da Jun Chang, que possui uma escrita que prende a atenção e envolve o leitor, fiquei bastante curiosa para ler a história dessa imperatriz que foi tão importante e ao mesmo tempo tão odiada na China nas palavras de outra autora chinesa talentosa.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

[Resenha] Mensagem de uma mãe chinesa desconhecida

Mensagem de uma mãe chinesa desconhecida
Autora: Xinran
Editora: Companhia das letras
Ano: 2011
Tradução: Caroline Chang
Pgs: 268
Resenha:
A jornalista Xinran fala de sua experiência ouvindo histórias de sofrimento de diversas mulheres por toda a China, mães que não conseguiram vive a maternidade plenamente devido à velhas tradições ainda arraigadas, por terem dado a luz a bebês do sexo feminino. Xinran demonstra como uma antiga tradição, o isolamento e as dificuldades das áreas rurais, e a lei do filho único contribuíram para o abandono, e muitas vezes até mesmo o assassinato, de meninas recém-nascidas.
“A primeira mãe que conheci que havia perdido sua filha”.
“Meu nome é Waiter – não no sentido de alguém que serve uma mesa em um restaurante, mas no sentido de alguém que espera por um futuro que nunca virá.” Pg. 29
Uma jovem universitária, ignorante sobre o sexo e suas conseqüências, fica grávida do namorado, que acaba a abandonando. Tendo que lidar sozinha com a situação e temendo a reação dos pais, ela conta apenas com a ajuda de um casal de estranhos, que cuida dela durante a gravidez. Porém, depois do nascimento da filha, ela fica novamente sozinha e pior, sem trabalho. Num momento de desespero, e preocupada com a filha ficando cada vez mais fraca devido a fome, ela acaba abandonando o bebê num orfanato. Meses depois, já empregada, ela volta ao orfanato para buscar a filha, mas descobre que o orfanato não existe mais e não nenhum registro de para onde sua filha foi enviada.
Essa é a primeira das 10 histórias transmitas por Xinran. As histórias não foram romanceadas, são contadas da mesma maneira com a qual chegaram até Xinran. São elas:
“As mães de meninas têm o coração cheio de tristeza”
“A história da parteira”
“A lavadora de pratos que tentou se matar duas vezes”
“Guerrilheiros do nascimento extra: um pai em fuga”
“Mary Vermelha do orfanato”
“A mãe que ainda espera nos Estados Unidos”
“Um conto moral dos nossos tempos”
“Laços de amor: pedras e folhas”
“Floco de Neve, onde está você?”
Além das histórias, também há alguns apêndices com mais informações sobre o assunto, como por exemplo, as leis chinesas de adoção e suicídios entre as mulheres chinesas.
“Mas tem uma coisa que eu gostaria de lhe lhe perguntar. Você pode me dizer como se faz para ter um filho homem?” Pg. 52
 “Ela chora quase todas as noites e diz que sonhou com as meninas. Não acredito. Damos duro o dia todo, não temos tempo para sonhar!” Pg. 109
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Minha Opinião:
Ótimo livro! Xinran escreve de maneira leve e simples. O livro é comovente, mas também informativo. Mostra a realidade das mulheres na China, principalmente na área rural. Também demonstra o lado negativo da lei do filho único, que acabou, acidentalmente, prejudicando os bebês do sexo feminino nas áreas mais humildes da China.

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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

[Resenha] A espera

A espera
Autor: Ha Jin
Editora: Companhia das letras
Ano: 2001
Tradução: Beth Vieira
Pgs: 345
Resenha:
Desde o início do livro, sabemos que o casamento de Shuyu e Lin Kong só se mantêm por causa da recusa dela em aceitar o divórcio. Logo nos é apresentado o que levou Lin a ficar naquela situação. Ele via Shuyu apenas como um mal necessário, alguém para cuidar de seus pais enquanto ele tentava uma carreira na cidade. Enquanto ele convivia com as pessoas mais modernas da cidade, Shuyu e sua filha permaneceram vivendo na área rural, sem muitos recursos, sobrevivendo com seu trabalho e o pouco dinheiro que Lin enviava. Mesmo depois da morte dos sogros, Shuyu permaneceu na pequena casa da família, onde recebia o marido quando vinha para visitar-las. Sem muita instrução, tendo vindo de uma família pobre, Shuyu permaneceu durante anos dedicada apenas ao marido ausente e a filha, mesmo depois que Lin começou a insistir pelo divórcio.
“Lin virou-se na neve, fitando aquela casinha um bom tempo. À luz das lamparinas a óleo, as janelas pareciam cor de bronze. Se ao menos pudesse ter jantado com as enfermeiras.” Pg. 48
Na cidade, durante os primeiros anos, Lin viveu como um médico responsável, sem jamais mencionar a verdade sobre a esposa, feia e tradicional, e a filha, sentindo muita vergonha da esposa. Mas sendo um homem acomodado, desde que seus colegas não soubessem dela, tudo estava bem.
Tudo mudou depois que ele se apaixonou pela jovem enfermeira Manna Wu. Ambos se apaixonaram, porém, durante bastante tempo mantiveram seu relacionamento em segredo, e não apenas pelo fato dele ser casado.
“Enquanto o marido falava, Shuyu cobrira a boca com um pedaço amassado de papel. Tinha os olhos fechados, como se estivesse sentindo ferroadas na cabeça.” Pg. 137
Cansada de uma relação secreta, Manna começou a pressionar Lin pelo divórcio. Mas toda vez que ele e Shuyu enfrentavam o juiz, ela mudava de idéia e o divórcio não saia. Demoraria anos e muitas brigas até Lin conseguir o divórcio e poder se casar com Manna. Mas o casamento não foi como ambos esperavam. Depois de tantos anos de espera, além de uma gravidez arriscada e tardia, afetaram os nervos de Manna, causando diversas brigas entre ela e Lin. Enquanto isso, Shuyu encontrou sua própria força, e junto da filha, passou a viver tranquilamente na cidade, perto de Lin e Manna.
Agora preferia esperar por ele, para o que desse e viesse. Talvez já fosse tarde demais para não esperar.” Pg. 178
Lin e Manna enfrentaram muitas dificuldades depois do nascimento dos bebês, gêmeos, devido a doença de Manna. Porém, contaram com a ajuda da filha mais velha de Lin, que apesar de uma implicância inicial de Manna, acabou sendo aceita. Ela passou a ajudar nos cuidados com os bebês e com a casa do casal.

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Minha Opinião:
Um bom livro, com personagens bem humanos, cheios de defeitos. Lin, por exemplo, é um homem egoísta e acomodado, na minha opinião. Com uma esposa submissa e tradicional, que vive para cuidar dos sogros e da filha, ele passa a maior parte de seu tempo na cidade, onde trabalha como médico. Durante muito tempo, acomodado com sua vida dividida entre o trabalho de médico na cidade e os poucos dias que passa no interior com a família, ele não se importou por continuar com um casamento conveniente que não desejava no começo, mesmo depois que seus pais morreram. Mas depois que se apaixonou, sendo pressionado pela amante, começou a lutar pelo divórcio. Mas na China nessa época, o divórcio não era tão simples, principalmente devido a sua situação com a esposa.
Manna, a amante, é outra personagem bastante imperfeita. No início era apenas uma jovem apaixonada, mas quanto mais o tempo passava sem que conseguisse se casar com Lin, mais ela demonstrava sua contrariedade. Tenho de dizer que, desde o início eu não simpatizei com ambos. Apesar de amor entre os dois ser um fato visível, o modo como Lin trata Shuyu e mesmo a filha é muitas vezes revoltante. Manna é outra que, à partir de certo ponto da história, se torna um personagem um pouco irritante.
Mas são essas imperfeições dos personagens que torna a história realista e humana. A passividade de Shuyu, o egoísmo de Lin e Manna, mas também seu amor e força para recomeçar, mesmo depois de tudo que enfrentaram.

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